quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ihezuo: após o recorde, o título


 

Chinwendu Ihezuo já colocou o próprio nome no livro dos recordes da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA, mas a atacante nigeriana admite que quer mais. Na edição de 2012, no Azerbaijão, a superpotência africana caiu em um grupo com Colômbia, Canadá e o país anfitrião. Com apenas nove minutos no seu jogo de estreia, as africanas perdiam do Canadá por 1 a 0 e estavam perto da derrota, quando a então jovem de 15 anos marcou o gol do empate.

No jogo seguinte, a Nigéria enfrentou o Azerbaijão, e Ihezuo foi o grande destaque, liderando a equipe a golear o time da casa por 11 a 0, marcando um recorde de cinco gols em uma mesma partida do torneio. Uma vitória por 3 a 0 sobre a Colômbia na última rodada deixou as africanas na liderança do grupo. A adversária nas quartas de final foi a França, que venceu a Nigéria na decisão por pênaltis.

Embora Ihezuo tenha disputado apenas quatro jogos, os seus seis gols a deixaram como vice-artilheira do torneio, atrás apenas da norte-coreana Ri Un-Sim, que anotou oito vezes em seis partidas. Ihezuo foi agraciada com a Chuteira de Prata adidas, que lhe foi entregue em uma cerimônia realizada um ano depois, na Nigéria. Porém, a garota de 17 anos sente que o trabalho está incompleto. "Ainda me sinto mal de termos sido eliminadas. Tive satisfação pessoal por ser a segunda artilheira da competição, mas como time não atingimos o que queríamos."

A Nigéria participou de todas as edições de torneios mundiais sub-17 (e sub-20 também), e esta caminhada prosseguirá na Costa Rica. A visita à América Central dará a Ihezuo a oportunidade de ampliar o seu número de gols pelo Mundial: se não se lesionar ou passar por qualquer tipo de incidentes, ela estará na seleção nigeriana novamente.

Uma segunda tentativa
Como uma das jogadores mais experientes do elenco, Ihezuo sabe que atrai muitas expectativas de todos. "Tento ajudar as minhas companheiras com a experiência que tenho. Como já disputei uma Copa do Mundo, sei o que esperar e posso com isso ajudar as demais jogadoras do nosso plantel."

A equipe, que atingiu as quartas de final dos últimos dois Mundiais antes de não conseguir chegar lá na edição inaugural de 2008, caiu na chave de Colômbia, México e China. Ihezuo admite que sabe muito pouco sobre as mexicanas e as chinesas. "Mas jogamos contra a Colômbia na última edição. Elas jogam um futebol muito rápido."

A Nigéria se classificou para a Costa Rica 2014 sem disputar sequer uma partida, pois a seleção concorrente desistiu de disputar as eliminatórias. A falta de jogos competitivos, porém, não é algo que preocupe a goleadora. "Apenas uma seleção deveria jogar conosco, mas desistiu. Jogamos alguns amistosos, que nos ajudaram muito."

"A nossa preparação está indo muito bem. Viajaremos a Portugal para os preparativos finais. Posso dizer que até agora está tudo bem. As pessoas na Nigéria esperam que possamos ganhar a Copa, e acho que somos uma das equipes que têm chance."

Apoio familiar
Ihezuo começou a jogar futebol nas ruas de Ajegunle, um distrito de Lagos, onde também surgiram vários ex-jogadores de nível mundial, como Samson Siasia, Taribo West e Emmanuel Amuneke. "Comecei a jogar bola quando era ainda uma menininha, e me dei conta de que tinha talento."

A seguir, ela passou a jogar pelo Pelican Stars. Depois de quebrar recordes no Azerbaijão, Ihezuo continuou atuando pelo clube de Calabar, que é o maior campeão do futebol do país, mas a sua vida mudou muito pouco. "A única coisa que mudou para mim quando voltei do Azerbaijão foi que passei a ter mais exposição, as pessoas começaram a reparar mais em mim."

Ihezuo, que mora em casa com os pais, conta com um grande apoio da família: ela é a caçula de oito irmãos. E se Chinwendu voltar da Costa Rica com a medalha de ouro além da Chuteira de Prata que já tem, eles ficarão ainda mais orgulhosos de sua filha do que já estão. 

FIFA.COM